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A promoção de investimentos privados no país

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Helio Amorim

Foi criada recentemente uma agência, em forma de rede público-privada, com o objetivo de atrair investimentos para o país. Participam da Investe-Brasil dezenas de entidades representativas do setor produtivo e de serviços, de braços com órgãos do governo. Pretende-se criar assim um portal que receberá o investidor potencial e lhe apresentará o mais amplo leque de informações e dados que incentivem seu investimento.

Ao mesmo tempo deverão desenvolver-se ações proativas de busca do investidor onde quer que ele esteja. Os alvos principais serão naturalmente os investidores estrangeiros, grupos empresariais e financeiros internacionais.

Um dos componentes dessa rede é o setor de infra-estrutura do país. Abrange especialmente as áreas do petróleo e gás, da geração, transmissão e distribuição de energia elétrica, todos os modais das redes viárias, o saneamento básico e as telecomunicações. Trata-se quase exclusivamente de empreendimentos destinados a fornecer serviços públicos.

Os investimentos nessas áreas, portanto, se efetivam mediante concessões novas ou pela privatização de empresas concessionárias do setor público. São então precedidos de um processo licitatório promovido pelo poder concedente: União, Estado ou Município.

Mas o interesse do investidor não se limita às oportunidades de concessões via licitações. Ele nasce da identificação de um bom negócio, viável, seguro e rentável. A disposição de analisá-lo pode ainda estar condicionada à prévia garantia de acesso a fontes e linhas de financiamento em condições convenientes.

Esses dados essenciais para que aconteça o investimento privado, seja em programas de concessões, seja pela identificação de uma boa oportunidade de um empreendimento comercial, somente podem ser oferecidos se existirem estudos de viabilidade técnica, econômico-financeira e ambiental, complementados com elementos básicos de engenharia financeira que indiquem a factibilidade de um "project finance" com a identificação das agências que operam o tipo de financiamento requerido e as condições para a sua obtenção. Em alguns casos, serão necessários alguns elementos de projeto básico ou conceitual que caracterize ainda que preliminarmente a solução técnica do empreendimento.

Todos esses componentes essenciais do esforço de atração de investidores resultarão obrigatoriamente de trabalhos típicos de consultoria de engenharia. As empresas do setor, no Brasil, estão capacitadas a elaborar esses estudos e projetos, com a abrangência necessária e não mais que suficiente para esse objetivo. Se necessário, saberão buscar parcerias que complementem sua competência, no país ou no exterior.

Se essa atração de investimentos quer ser objetiva e pragmática deverá começar por identificar a mais ampla lista possível de empreendimentos públicos ou privados demandados pelo mercado e de interesse do país, destinando recursos para a contratação daqueles trabalhos de consultoria sem os quais serão escassos os negócios.

Esse estoque de estudos a preparar deve incluir a atualização de estudos antigos existentes no setor público, em quase todas as áreas de infra-estrutura, especialmente mas não somente no setor elétrico. Assim será criado um banco de dados de alta confiabilidade e atualidade, disponibilizados aos investidores potenciais.

Os custos desses estudos poderão ser ressarcidos em qualquer época em que o investimento gerado se efetivar. Com efeito, um edital de licitação de concessão pode estabelecer como obrigação do vencedor, o reembolso desses custos ao organismo ou fundo financeiro que o tenha contratado. Ou pode ser o estudo adquirido diretamente pelo investidor interessado, se não se tratar de uma concessão sujeita a licitação. Deve ainda esse reembolso incluir uma parcela de remuneração que compense o risco do investimento na produção do estudo ou projeto.

Seria então conveniente a criação de um fundo financeiro com esse objetivo: compra e venda de estudos e projetos, com mecanismos de realimentação que o tornem auto-sustentável após certo tempo de operações. Talvez devesse ser este um dos programas prioritários da nova organização Investe-Brasil, no seu braço de infra-estrutura.

Caberia, nesse caso, a organização de um pool de empresas de consultoria de engenharia, pré-qualificadas por sua competência em cada área, para a alocação de equipes mistas de grande experiência, capacitadas a realizar trabalhos de qualidade em prazos curtos. A ABCE poderia ser a catalizadora dessa estruturação, já praticada com êxito no campo de sistemas de transmissão de energia elétrica, podendo o modelo ser estendido a todas as áreas de infra-estrutura.

Por outro lado, o Banco Mundial manifestou recentemente seu interesse em financiar a formação de estoques de projetos nos países da América Latina, justamente para esse fim: a viabilização de investimentos em infra-estrutura, atualmente escassos por falta de estudos confiáveis.

Cabe ainda lembrar a extensa lista de empreendimentos dessa natureza, de interesse do país, incluídos no plano "Avança Brasil" (PPA). Poderia ser o roteiro para a contratação de estudos e projetos, com uma saudável mobilização das empresas de consultoria de engenharia. Resultariam ganhos significativos para o país, por constituírem essas empresas um setor estratégico para o desenvolvimento e domínio crescente de tecnologias de interesse nacional.

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