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Concessões sem monitoramento independente não vão funcionar

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Helio Amorim

A tendência é irreversível. O programa de concessões de serviços públicos tem lógica e vai conduzir a bons resultados. Já há exemplos concretos e comprova-se a satisfação dos usuários com o desempenho de várias concessionárias. Mas não de todas.
Algumas importantes rodovias melhoraram consideravelmente, estão mais seguras e bem pavimentadas, com obras de ampliação e restauração bem executadas. O mesmo não acontece com outras concessões que não resolveram os cortes de energia elétrica e não melhoraram outros serviços concedidos, provocando justa irritação dos usuários.
O bom desempenho esperado decorre de vários fatores: um processo de licitação e contratação bem concebido e realizado, e a qualificação técnica e capacidade gerencial da concessionária. Mas também depende essencialmente do monitoramento de sua atuação.
Com efeito, a concessionária assume uma enorme pauta de obrigações quanto à qualidade dos serviços oferecidos ao público, ao bom atendimento das demandas, a segurança e conservação do empreendimento, com a execução de obras de engenharia, aquisição e operação de novos equipamentos, e muitos outros encargos contratuais, muitos dos quais bastante complexos.
O cumprimento dessas obrigações terá que ser necessariamente monitorado pelo poder concedente. Não diretamente, por não ter sentido criar uma estrutura técnica e gerencial para cada empreendimento concedido. O monitoramento ideal, como praticado em todo o mundo, é exercido por empresas privadas de consultoria de engenharia, cuja independência e competência asseguram um controle rigoroso do desempenho e do atendimento a todas as obrigações contratuais da concessionária.
O custo de tal monitoramento é irrisório e pode ser coberto por aportes financeiros da própria concessionária, previstos no processo de licitação e contratação. Assim procedeu o DNER nas cocessões rodoviárias. Na fixação do valor dos pedágios, ficou estabelecida uma parcela da arrecadação para cobrir os custos do monitoramento a cargo de consultoras de engenharia, além dos custos dos serviços de fiscalização e policiamento indelegáveis, a cargo do próprio DNER.
Esse é o modelo perfeito, financeiramente autosustentável, eficiente e invulnerável a favorecimentos e acomodações que prejudicariam a qualidade dos serviços oferecidos à população.
Com a criação das Agências Reguladoras Nacionais, espera-se que esse venha a ser o modelo a adotar para as concessões nos setores de energia elétrica, petróleo e telecomunicações. Também nos âmbitos estadual e municipal, órgãos reguladores estão sendo criados, para os setores ferroviário e metroviário, de saneamento e transportes urbanos. Empresas consultoras capacitadas para monitorar as concessionárias estão preparadas para exercer com competência e rigor essa função essencial para o êxito desses programas.
A ABCE e as empresas consultoras estão se propondo a colaborar com as Agências recém criadas na modelagem do sistema de monitoramento das concessões de cada setor, como o fizeram para as concessões rodoviárias.

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